Trocar dívida cara por dívida barata: a economia que pouca gente faz

O Dilema

Você está devendo no cartão ou no cheque especial, pagando juros altíssimos, e tentando quitar aos poucos. O esforço é grande, mas a dívida quase não diminui, porque o juro come o pagamento. Existe um movimento simples que muda esse jogo: trocar a dívida cara por uma mais barata. Não é mágica nem é "fazer mais dívida". É pagar menos juros pelo mesmo valor que você já deve.

O Mecanismo

A ideia é direta. Você pega uma linha de crédito mais barata e usa o dinheiro dela para quitar a dívida cara. No fim, deve o mesmo valor, mas a uma taxa muito menor. A dívida que sobra cresce mais devagar (ou diminui mais rápido), porque o juro é menor.

Isso funciona porque as taxas de crédito variam de forma absurda no Brasil. O rotativo do cartão passa de 14% ao mês. O cheque especial chega a 8% ao mês. Já um empréstimo pessoal fica perto de 8% ao mês, e um consignado, quando você tem acesso, fica em torno de 1,85% ao mês (vimos esses números nos artigos de cada modalidade). Trocar uma dívida de 14% ao mês por uma de 1,85% ao mês é uma economia enorme.

O número que decide a troca é o CET (Custo Efetivo Total) de cada dívida. Só vale trocar se o CET da nova for claramente menor que o da antiga. E a troca tem que ser para quitar a dívida cara, não para gastar de novo.

O Exemplo

Imagine uma dívida de R$ 5.000 no rotativo do cartão, a 14,9% ao mês.

  • Ficando no rotativo: em 6 meses, sem pagar, a dívida iria a cerca de R$ 11.700 (5.000 × 1,149⁶). É o juro mais caro do sistema crescendo em cascata.
  • Trocando por um consignado a 1,85% ao mês, parcelado em 12 vezes: a parcela fica em torno de R$ 466/mês, e o total pago em um ano fica perto de R$ 5.590. Os juros caem de milhares de reais para algumas centenas.

A diferença entre os dois caminhos é de milhares de reais, pelo mesmo R$ 5.000 de dívida original. Foi só a troca da taxa.

Você pode refazer essa conta com a sua dívida. Pegue o CET da dívida atual e o CET da linha mais barata que você consegue. Se a segunda for bem menor, a troca quase sempre compensa.

O Que Fazer

Liste suas dívidas e os respectivos CETs, da mais cara para a mais barata. Comece atacando a mais cara (em geral, rotativo do cartão e cheque especial). Veja qual linha barata você consegue (consignado, empréstimo pessoal com bom CET, crédito com garantia) e use-a para quitar a dívida cara.

Dois cuidados tornam a troca segura. Quite mesmo a dívida antiga com o dinheiro, sem desviar para consumo. E não volte a usar o crédito caro que você acabou de zerar, porque a troca resolve a taxa, não o hábito que criou a dívida. Para isso, vale olhar o orçamento (assunto de outro artigo).