Previdência privada: PGBL ou VGBL, e qual tabela escolher

O Dilema

Você quer guardar para a aposentadoria e o banco oferece previdência privada. Logo aparecem duas siglas (PGBL e VGBL) e duas "tabelas" de imposto (progressiva e regressiva). A escolha entre elas muda quanto você paga de imposto, e ninguém costuma explicar isso direito. Escolher errado pode custar caro lá na frente. Vale entender antes de assinar.

O Mecanismo

PGBL e VGBL são dois tipos de plano de previdência privada. A diferença está em como o Imposto de Renda incide.

No PGBL, você pode abater os aportes da base do Imposto de Renda, até o limite de 12% da sua renda bruta tributável no ano. Em troca, quando você resgatar, o imposto vai incidir sobre o valor total retirado (o que você aplicou mais o que rendeu). O PGBL só compensa para quem faz a declaração completa do IR e tem renda tributável para abater.

No VGBL, não há abatimento na hora de aplicar. Em compensação, quando você resgatar, o imposto incide só sobre o rendimento, não sobre o total. O VGBL costuma ser a escolha de quem faz a declaração simplificada ou já usou o limite de 12% no PGBL.

Existe ainda a escolha da tabela de imposto. A tabela regressiva começa em 35% e vai caindo conforme o tempo, até 10% para o dinheiro que ficou mais de 10 anos aplicado. Ela premia o longo prazo. A tabela progressiva segue a tabela normal do IR (de isento até 27,5%, conforme o valor retirado). Ela costuma servir para quem vai resgatar valores baixos ou em situações específicas. Desde 2024, você pode decidir entre as duas no momento do resgate, e não mais na contratação. Isso ajuda, porque você escolhe já sabendo sua situação real.

O Exemplo

Pense em duas pessoas que querem investir para a aposentadoria.

  • Ana tem renda alta e faz a declaração completa do IR. Para ela, o PGBL costuma valer mais: ela abate até 12% da renda tributável hoje e investe esse imposto adiado por décadas. Como pretende deixar o dinheiro por mais de 10 anos, a tabela regressiva (10% no fim) tende a ser a mais barata.
  • Bruno faz a declaração simplificada. Como ele não aproveita o abatimento do PGBL, o VGBL é mais indicado: lá na frente, ele paga imposto só sobre o rendimento, não sobre tudo. Para o longo prazo, a tabela regressiva também tende a favorecê-lo.

Repare: a previdência privada é uma forma de investir, não um investimento mágico. Vale checar as taxas do plano (administração e carregamento) com o mesmo cuidado dos fundos comuns. Um plano caro pode anular a vantagem do imposto.

O Que Fazer

Comece pela sua declaração. Se você faz a completa e tem renda tributável, o PGBL (até 12% da renda) tende a valer a pena. Se faz a simplificada, o VGBL costuma ser melhor. Para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria, a tabela regressiva geralmente vence, porque chega a 10% depois de 10 anos.

Antes de assinar, confira as taxas do plano e compare com investir por conta própria num Tesouro IPCA+ (que vimos no artigo sobre títulos do Tesouro). A previdência privada ganha quando o benefício de imposto e a comodidade superam o custo das taxas. Faça essa conta com os números do plano que te ofereceram.