Parcelar a fatura do cartão: quando vale e quanto custa

O Dilema

Você não consegue pagar a fatura inteira do cartão neste mês. O banco oferece duas saídas que parecem parecidas: pagar o mínimo (e cair no rotativo) ou parcelar a fatura. As duas deixam você devendo, mas o custo de cada uma é muito diferente. Vale a pena entender essa diferença antes de clicar em qualquer botão.

O Mecanismo

Quando você paga só uma parte da fatura, o resto cai no crédito rotativo, com juros altíssimos (vimos isso no artigo sobre por que a fatura não para de crescer). O rotativo, por lei, só pode durar um mês. Depois disso, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento da fatura.

Parcelar a fatura significa transformar o saldo que você não pagou em parcelas fixas, com uma taxa de juros menor que a do rotativo. Você passa a pagar um valor igual todo mês, por um número definido de meses, até zerar a dívida.

Para comparar de verdade, olhe o CET (Custo Efetivo Total). O CET é a taxa que junta tudo o que a dívida custa: os juros mais tarifas, impostos (como o IOF) e seguros embutidos. Duas ofertas podem ter o mesmo "juro ao mês" no anúncio e um CET bem diferente. O CET é o número que diz o custo real.

O Exemplo

Imagine uma fatura de R$ 5.000 que você não consegue pagar.

Opção 1 — ficar no rotativo (14,9% ao mês, taxa média do artigo sobre o cartão). Se a dívida ficasse 3 meses crescendo, sem pagar nada, ela chegaria a cerca de R$ 7.585 (5.000 × 1,149³). Pior ainda: o rotativo nem pode durar tudo isso, então é a pior porta de entrada.

Opção 2 — parcelar a fatura em 12 vezes, a uma taxa de cerca de 6% ao mês (típica do parcelamento, bem abaixo do rotativo). A parcela fixa fica em torno de R$ 597/mês. O total pago ao final seria de aproximadamente R$ 7.160, dos quais cerca de R$ 2.160 são juros.

A conta mostra o ponto principal: o parcelamento ainda é caro, mas é bem menos caro que o rotativo. Mesmo assim, vale comparar com uma terceira opção: um empréstimo pessoal ou um consignado, que às vezes têm CET menor ainda (veja os artigos sobre essas modalidades).

Você pode refazer essa conta com a sua fatura. Peça ao banco o CET do parcelamento (não só o "juro ao mês"), o valor da parcela e o total a pagar. Compare esse total com o de um empréstimo do mesmo prazo.

O Que Fazer

Se você não vai conseguir pagar a fatura inteira, o parcelamento quase sempre ganha do rotativo. Aceitar o parcelamento o quanto antes evita o juro mais caro do sistema.

Mas não pare por aí. Antes de aceitar, peça o CET por escrito e compare com um empréstimo pessoal e com o consignado (se você tiver acesso). A regra é simples: escolha a dívida de menor CET para o mesmo prazo. E, ao parcelar, evite usar o cartão de novo enquanto não quitar, porque uma nova fatura por cima da parcela pode recriar o problema.