O Dilema
Você entrou num consórcio e quer ser contemplado logo, sem depender só da sorte do sorteio. A saída é dar um lance: oferecer um valor adiantado para furar a fila. Mas quanto oferecer? Um lance alto aumenta a chance de ser contemplado, mas exige um bom dinheiro na mão agora. Um lance baixo custa pouco, mas quase não adianta a fila. Como pensar essa aposta sem chutar?
O Mecanismo
No consórcio, todo mês alguém é contemplado e recebe o valor do bem (vimos como funciona no artigo sobre consórcio vs. financiamento). Isso acontece por sorteio ou por lance. O lance é um valor que você paga adiantado, do seu próprio bolso, para tentar ser escolhido antes da sua vez.
Quem oferece o maior lance no mês costuma ser contemplado. Por isso, lance é uma disputa: ele só funciona se for competitivo em relação ao que os outros participantes ofereceram. Um lance pequeno demais quase nunca ganha.
Existem duas perguntas por trás de um bom lance. A primeira é a probabilidade de contemplação: quão provável é esse lance ganhar, dado o tamanho do grupo e o histórico de lances vencedores. A segunda é o custo de oportunidade do dinheiro: o que esse valor renderia se ficasse investido, em vez de ser usado no lance. Adiantar o dinheiro num lance significa abrir mão desse rendimento.
O Exemplo
Imagine que você tem R$ 30.000 disponíveis e está num consórcio de um carro.
- Usar tudo num lance agora: aumenta bastante a chance de contemplação rápida. Você recebe o carro antes e para de pagar a incerteza da espera. Mas abre mão do que esses R$ 30.000 renderiam investidos. A 1% ao mês, por exemplo, eles renderiam cerca de R$ 300 no primeiro mês, e isso se repete enquanto o dinheiro ficar parado no lance.
- Dar um lance menor e manter parte investida: custa menos agora e mantém uma reserva rendendo. Mas a chance de contemplação cai, e você pode esperar muito mais.
Não existe número mágico. O lance certo é o maior valor que você consegue adiantar sem zerar sua reserva de emergência, pesado contra o quanto vale, para você, encurtar a espera. Se receber o bem agora resolve um problema concreto (trabalhar, por exemplo), o lance maior tende a compensar. Se você pode esperar, o custo de oportunidade pesa mais.
Antes de decidir, peça à administradora o histórico de lances vencedores dos últimos meses. Ele dá uma ideia realista de quanto costuma ser preciso ofertar para ganhar.
O Que Fazer
Trate o lance como uma decisão de prazo, não de sorte. Pergunte-se: quanto vale, para mim, receber o bem agora em vez de daqui a meses ou anos? Se vale muito (uma urgência real), um lance competitivo faz sentido. Se você pode esperar, talvez seja melhor manter o dinheiro rendendo e contar com o sorteio.
Dois cuidados. Nunca use a reserva de emergência inteira num lance, porque você pode precisar dela antes de ser contemplado. E baseie o valor no histórico real de lances vencedores do seu grupo, não num palpite. Assim a aposta deixa de ser no escuro.