Guardar para a faculdade dos filhos: o poder de começar cedo

O Dilema

A faculdade dos filhos parece um problema distante quando eles ainda são pequenos. Mas é uma das maiores despesas planejáveis de uma família, e ela tem data para chegar. Quem deixa para resolver perto da hora descobre que o valor mensal necessário fica alto demais. Quem começa cedo deixa o tempo fazer a maior parte do trabalho. A diferença entre os dois caminhos é grande.

O Mecanismo

Guardar para a faculdade é um objetivo de longo prazo com data: você sabe, mais ou menos, quando o filho vai entrar na faculdade. Quanto mais cedo você começa, mais anos os juros compostos têm para trabalhar, e menor é o aporte mensal necessário (é o mesmo princípio dos artigos sobre aportes mensais e aposentadoria).

Tem um detalhe próprio da educação: a inflação educacional. Os preços de escolas e faculdades costumam subir num ritmo próprio, muitas vezes acima da inflação geral. Por isso, ao planejar, é prudente investir num rendimento que supere essa alta. Um título que paga acima da inflação, como o Tesouro IPCA+ (visto no artigo sobre títulos do Tesouro), ajuda a proteger esse objetivo.

A lógica final é a mesma de sempre. O valor que você guarda importa menos que o tempo que ele fica rendendo. Começar quando o filho nasce é muito diferente de começar quando ele está no ensino médio.

O Exemplo

Imagine uma meta de R$ 120.000 para a faculdade (em poder de compra de hoje), usando uma taxa real de 7% ao ano, a mesma referência dos outros artigos.

  • Começando quando o filho nasce (18 anos de prazo, 216 meses): o aporte mensal necessário é de cerca de R$ 270/mês.
  • Começando aos 10 anos do filho (8 anos de prazo, 96 meses): o aporte sobe para cerca de R$ 945/mês.

Esperar 10 anos para começar mais que triplicou o esforço mensal, para a mesma meta. O motivo é o mesmo de sempre: quem começa cedo deixa os juros compostos fazerem o trabalho pesado; quem começa tarde precisa colocar quase tudo do próprio bolso.

Você pode refazer essa conta com a sua meta e o tempo que falta. Divida o objetivo pelo número de meses como ponto de partida, lembrando que o rendimento ainda reduz um pouco o aporte necessário.

O Que Fazer

Se a faculdade dos seus filhos é um objetivo, comece a guardar o quanto antes, mesmo que com pouco. O tempo é o fator que mais barateia essa meta, e ele só corre uma vez.

Escolha um investimento que renda acima da inflação, de preferência da educação, para que a meta não seja corroída pela alta dos preços. E refaça a conta a cada poucos anos, ajustando o valor conforme sua renda mudar e a data se aproximar. Começar pequeno e cedo vence começar grande e tarde.