Crédito consignado: por que é mais barato e o que observar

O Dilema

Você precisa de crédito e ouve dizer que o consignado "tem o juro mais baixo". É verdade. Mas, junto com a vantagem, vem um detalhe que muda o jogo: a parcela é descontada direto do seu salário ou benefício, antes de o dinheiro chegar na sua conta. Isso barateia a dívida, mas também tira de você o controle sobre pagar ou não pagar. Vale entender os dois lados antes de contratar.

O Mecanismo

No crédito consignado, a parcela é descontada na folha de pagamento ou no benefício do INSS. O banco recebe quase com certeza, porque o dinheiro nem passa pela sua mão. Esse risco menor para o banco é o que permite um juro bem mais baixo que o de outras dívidas.

Para limitar abusos, existem tetos. Em 2026, o teto do consignado para aposentados e pensionistas do INSS é de 1,85% ao mês. (O cartão de crédito consignado é diferente e mais caro: até 2,77% ao mês.) Compare esse 1,85% com o empréstimo pessoal, perto de 8% ao mês: a diferença é enorme.

Existe também um limite de quanto da sua renda pode ir para essas parcelas, chamado margem consignável. Em 2026, a margem para empréstimo é de cerca de 35% da renda para trabalhadores com carteira assinada, e de 40% para aposentados e pensionistas do INSS. Esse limite protege você de comprometer o salário inteiro. Mas ele também tem um lado de atenção: como o desconto é automático e por muitos meses, é fácil comprometer a renda por anos sem sentir na hora.

O Exemplo

Imagine um empréstimo de R$ 10.000 em 24 meses.

  • Consignado a 1,85% ao mês: parcela de cerca de R$ 520/mês. Total pago ≈ R$ 12.480. Juros ≈ R$ 2.480.
  • Empréstimo pessoal a 8% ao mês: parcela de cerca de R$ 977/mês. Total pago ≈ R$ 23.448. Juros ≈ R$ 13.448.

Pelo mesmo valor e prazo, o consignado custou cerca de R$ 11.000 a menos em juros. É por isso que, quando você tem acesso a ele, o consignado quase sempre é a opção mais barata para trocar uma dívida cara.

Você pode refazer essa conta com a sua proposta. Peça o CET (Custo Efetivo Total), a parcela e o total a pagar. Confira também quanto da sua margem o empréstimo vai ocupar.

O Que Fazer

Se você tem acesso ao consignado (servidor, aposentado, pensionista ou empregado de empresa conveniada), ele costuma ser a forma mais barata de crédito comum. Use-o de preferência para trocar dívidas caras, como rotativo do cartão e cheque especial, e não para criar gastos novos.

Tome dois cuidados. Não comprometa toda a sua margem, porque uma renda muito amarrada deixa pouco espaço para imprevistos. E lembre que o desconto é automático por muitos meses: a facilidade de pagar não muda o fato de que é uma dívida longa. Compare sempre o CET com outras opções antes de assinar.